fev 26

A Itália corre o risco de perder sua condição de “Grande” do futebol europeu. A marca se denota pela quantidade de vagas na Liga dos Campeões. Hoje, são quatro postos, mas a Alemanha, mesmo sem vencer a LIga dos Campeões desde o sucesso do Bayern de Munique há alguns anos, tem um retrospecto muito mais favorável em tempos recentes levando-se em conta a Europa League.

Na prática, a partir da temporada 2011/12 (ou seja daqui a duas temporadas), a Itália pode passar a ter só três vagas na Liga dos Campeões, o que seria uma desgraça para a cara estrutura do futebol italiano. A situação é ruim para Milan e Juventus, que correm para recuperar da Inter a primazia doméstica (perdida em Calciopoli), mas ainda mais dura para os médios Roma, Fiorentina e Napoli, que querem entrar na órbita da Liga dos Campeões anualmente. A derrota da Roma ontem para o Panathinaikos foi chorada por todos os dirigentes italianos. Se o Milan também deixar a competição, a coisa fica ainda pior. se saírem Inter e Milan, então, a perda do quarto posto da LC é certa.

Tags:
fev 12

Na zona de classificação da Série B na atual temporada, o Sassuolo merece mais atenção do que está recebendo (mesmo a deste blog). Além de um time bem montado, que recebe em dia (alô Botafogo e companhia) e com um dono milionário, o time tem uma divisão debase capaz de levar o “Sassuolinho” para as semifinais do Torneio de Viareggio. No torneio em si, destaque para Immobile e Fausto Rossi (Juventus) e Beretta (Milan), Lorenzo Crisetig e Denis Alibec (Inter), todos já na órbita do time principal.

Tags:
jan 26

Tirando o chilique de José Mourinho ao final da partida, onde ele denunciava um complô contra uma líder de campeonato com nove pontos de vantagem, o sucesso interista sobre o Milan, não tem nenhum ponto a ser levantado. A Inter é muito melhor que o Milan, ainda que não jogue bonito e ainda que não tenha nenhum craque definitivo com exceção de um prodigioso Júlio César.

Confiando numa dupla de alas esforçada, no máximo, o Milan enfrentou a Inter sem Pato e Nesta. Na Inter, ausências do tipo teriam suplentes, mas na ’sponda rossonera’ da cidade, os dois deram lugar a Beckham e Favalli. Por outro lado, para “compensar” a ausência de Eto’o por um mês de Copa da África, contratou Pandev – o melhor segundo atacante da Itália, rivalizando com Alexandre Pato.

O Ronaldinho do auge do Barcelona talvez tivesse compensado Pato e Nesta, mas o atual, apesar de infinitamente melhor do que há seis meses, ainda não tem bala na agulha para se livrar de Maicon e ainda causar encrenca. Ronaldinho tem o talento, mas ainda não tem a velocidade nem o tempo de bola necessários a um ponta.

Tags:
jan 03

Júlio César (Internazionale)

Maicon (Internazionale) Zaccardo (Parma) Kjaer (Palermo) Vargas (Fiorentina)

D’Agostino (Udinese) Galloppa (Parma) Pirlo (Milan)

Sneijder (Internazionale)

Alexandre Pato (Milan) Diego Milito (Internazionale)

Tags:
nov 24

Três anos e meio depois de causarem o maior dano da história do futebol italiano, Luciano Moggi, Roberto Bettega e Antonio Giraudo – a tríade de dirigentes juventinos – foi absolvida hoje pela justiça italiana por uma excrescência legal de “não-subsistência do fato”.

Assim, a Itália se acomoda gostosamente junto ao Brasil no rol dos países que não são sérios. Sim, é verdade que não é exatamente uma novidade. Eleger Silvio Berlusconi sistematicamente para o cargo de premiê já indica alguma disfunção sociopolítica no país. Mas para nós, que acompanhamos o mundo do futebol, a absolvição de Moggi e sua ratatulha é que é definitiva na inclusão italiana na escória civil.

O mal causado por Moggi na sanha de obter prestígio e poder para si mesmo (a Juventus era apenas uma refém em posição confortável) levará, no mínimo, uma década para ser superado. Pode perfeitamente levar mais tempo que isso e pode também jamais ser revertido, porque o status quo do futebol italiano e o tipo de maracutaia sistemática que está enraizado no ‘calcio’ está absolutamente intocado. Todos os ratos ainda mordem seus queijos besuntados de lama, todas as cobras se esgueiram pelas mesmas pedras geladas e todo o lixo continua a apodrecer a olhos vistos.

A diferença, de verdade, está no campo. Não tem mais Kaká. Não tem mais Ibrahimovic. Espanha e Inglaterra estão um degrau acima e a competição agora é com campeonatos de porte menor. E se prepare: a Juventus já avisou que colocará a terceira estrela no peito caso vença o “scudetto” – assim, jogando no lixo a condenação esportiva por fraude. A Itália tem o que merece.

Tags:
nov 04

José Mourinho é um treinador que faz o óbvio: parte de uma defesa sólida para poder desenvolver o ataque. Fez isso em todos os clubes que trabalhou. Seu primeiro Chelsea era motivo de piada pelo futebol feio antes de vencer o primeiro título. O sacrifício é necessário na implantação do esquema, pois a retaguarda só se monta com treino; o ataque pode depender dos indivíduos.

Na Internazionale, Mourinho enfrenta um problema. Não consegue impingir ao seu time a solidez defensiva do Porto e do Chelsea. Como não resolve o enigma, não consegue também fazer um meio-campo e ataque que empolguem e agradem até a ele mesmo. O sucesso interista na Itália se dá porque Milan e Juventus estão “sottotono” (rendendo menos que o esperado). Na Europa, a Inter não é mais do que um Villarreal.

O drama mourinhista tem raízes individuais e coletivas. Individualmente, o português não tem uma dupla de zaga que realmente lhe dê confiança. Além disso, não tem como abrir mão de um Maicon em fase super, mas a improvisação de Santon na esquerda (ele é lateral direito de origem) está demonstrando seus limites. Javier Zanetti, jogando no meio, é um jogador extremamente comum. So Cambiasso é prodigioso no trabalho defensivo, unindo quantidade e qualidade. Todo o resto sofre, mesmo com as adições recentes.

Sem conseguir fazer um alicerce à altura, a manobra ofensiva da Inter também não é fantástica. Stankovic precisa ter papéis defensivos atacando a saída de bola, assim como os atacantes externos. Além do mais, a Inter tem vários bons jogadores, mas nenhum craque, que é até uma marca do trabalho de Mourinho. Balotelli é o mais promissor, mas ainda é jovem. Eto’o rende mais quando joga num time todo fantástico.

Qual a saída? Por incrível que pareça, contratar. Mourinho precisa de uma dupla de zaga nova. Samuel ainda tem o que oferecer, mas Córdoba nem tanto e Materazzi nunca teve nada além de dar foiçadas em adversários. Além disso, Cambiasso precisa de um companheiro. Se diz na Itália que Marek Hamsik tem um acordo com a Inter, com a bênção do Napoli e essa sim seria uma contratação excepcional. Faltaria ainda o craque, o cara que desequilibra. Pode ser Balotelli, mas sua relação com Mourinho não sugere ser de longa duração. mas também pode ser que o português se seduza por uma proposta de um clube estrangeiro.

Tags:
out 23

- José Mourinho e Balotelli não vão se acertar juntos. É mais do que claro. O atacante é um dos poucos jogadores que o português critica abertamente no elenco. É provável que Mourinho esteja tentando fazer um bem para o jogador ao “enquadrá-lo” publicamente para que ele baixe um pouco a bola. Contudo, é também provável que a Inter precise dar um desfecho para um deles se não quiser criar uma ferida. Um empréstimo de Balotelli seria o mais viável, embora tal medida significaria claramente que o jogador só voltaria em definitivo quando Mourinho deixasse o clube (vide Adriano). Balotelli tem um talento muito acima da média, mas também parece ter uma cabecinha de molusco em coma. Leia+ »

Tags:
out 09

Atalanta: Bianco, Ferreira Pinto
Bari: Allegretti, De Vezze, Gazzi, Gillet, Parisi, Rajcic, Volpato
Bologna: Di Vaio, Moras, Mutarelli, Tedesco
Cagliari: Agostini, Biondini, Canini, Conti, Cossu, Cozza, Lazzari, Ragatzu
Catania: Izco
Chievo: Ariatti, Malagò, Mandelli, Marcolini, Moro
Fiorentina: Avramov, Castillo, Comotto, Dainelli, Donadel, Santana, Zanetti
Genoa: Crespo, Milanetto, Modesto, Rossi
Inter: Belec, Khrin, Stankovic, Toldo
Juventus: Camoranesi, Del Piero, Legrottaglie, Manninger, Salihamidzic, Trezeguet, Zebina
Lazio: Brocchi, Cribari, Del Nero, Inzaghi, Ledesma, Makinwa, Manfredini, Mauri, Meghni
Livorno: Danilevicius, Mozart, Tavano
Milan: Ambrosini, Gattuso, Jankulovski, Kaladze, Nesta, Oddo, Seedorf, Zambrotta
Napoli: Amodio, Bogliacino, Cannavaro, De Zerbi, Gianello, Pi
Palermo: Balzaretti, Liverani, Sirigu
Parma: Cordova, Lucarelli
Roma: Andreolli, Antunes, Cerci, Faty, Mexes
Sampdoria: Bellucci
Siena: Del Grosso, Ficagna, Fini, Vergassola
Udinese: Corradi.

Tags:
out 09

Atalanta: Doni e Costinha
Bologna: Adailton, Bombardini, Colombo, Gimenez, Lanna, Lavecchia, Marazzina, Mingazzini, Santos, Zenoni
Cagliari: Lopez, Lupatelli, Parola
Chievo: Bogdani, Luciano, Yepes, Scardina, Squizzi
Fiorentina: Kroldrup, Gobbi, Jorgensen
Genoa: Biava, Figueroa, Scarpi
Inter: Orlandoni, Vieira
Juventus: Cannavaro
Lazio: Baronio, Cruz, Dabo, Pandev, Siviglia
Livorno: Bergvold, Filippini, Galante, Marchini
Milan: Dida, Favalli, Inzaghi, Roma
Napoli: Grava, Iezzo
Palermo: Bresciano, Simplicio
Parma: Amoruso, Panucci, Pavarini, Zenoni
Roma: Artur, Cassetti, Esposito, Julio Sergio, Lobont, Perrotta, Pizarro, Taddei, Tonetto
Sampdoria: Castellazzi, Franceschini, Guardalben, Lucchini
Siena: Jarolim.

Tags:
out 08

Quando um capitão da seleção campeã mundial é pego num exame de doping, a primeira reação é a de negação, nem que seja só no país em questão. Fabio Cannavaro, 35 anos, em melhor jogador da Europa, contudo, não recebe este tipo de guarida de forma unânime nem na Itália.

A carreira do zagueiro é pontuada por escândalos. Anos atrás, um video de Cannavaro se injetando uma substância misteriosa num quarto de hotel em Moscou, antes da final da Copa Uefa em 1999, correu o mundo. “Ah, como eu sou nojento”, dizia Cannavaro no vídeo. O Parma venceu a final (um passeio de 3 a 0 sobre o Olympique de Marselha) e o jogador disse que estava injetando “vitaminas”.

No escândalo do Calciocaos, já durante a Copa do Mundo, o então capitão da “Azzurra” Cannavaro defendeu explicitamente Luciano Moggi, arquiteto na maracutaia e à época “capo” da Juventus. No dia seguinte, foi obrigado a se retratar, refutando o apoio ao que dissera um dia antes, por determinação explícita da federação.

No lançamento do filme “Gomorra”, no qual o dia-a-dia da Máfia em Napoli é mostrado de maneiar crua e violenta (é uma espécie de “Cidade de Deus”), com os criminosos campeando e a gente comum tendo de se adaptar, Cannavaro disse que não gostava do filme porque denegria Napoli. “Claro, o problema é o filme, então”, ironizou um jornalista, crítico da posição do jogador, que é um ícone na cidade (ele é napolitano). Igualmente, no dia seguinte, ele deu outra declaração dizendo que não tinha dito nada daquilo.

Qualquer acusação de doping precisa ser levada a sério, mas quando acontece num país como a Itália, que tem um histórico recente da mais podre e fétida lama, e com um jogador cujo comportamento não parece ser exemplo nem para o mais duvidoso dos mortais, o cheiro fica mesmo insuportável. Mais ainda num momento em que a Juventus vai retomando seu lugar de “poderosa” no futebol italiano e mantém uma proximidade incômoda do treinador da seleção, da qual oito jogadores são juventinos. “Incômoda” porque ao se revelar que Lippi pode reassumir a Juventus depois do Mundial, nunca se sabe até onde o jogo de interesses está ditando as regras.

A verdade é que tanto a seleção quanto o futebol italiano de um modo geral são escravos de uma combinação nefasta que se formou com a conquista do Mundial aliada ao escândalo do Calciocaos. Os quadro dirigencial do futebol italiano (e aqui falo de um modo geral, envolvendo clubes e federação envolvidos diretamente ou não) tinha de ser expurgado após a desgraça planejada por Moggi, mas com a conquista do Mundial, ficou. Como herança, a seleção também manteve uma série de jogadores que hoje não estariam numa seleção dos 23 melhores jogadores da Itália, como Gattuso, Camoranesi, Grosso e Gilardino, por exemplo.

Nem a Inter, aparentemente a única que “ganhou” alguma coisa com o escândalo, teve ganhos reais. Todas as conquistas interistas terão sobre si a interrogação de se o time era bom ou se jogou sem adversários. Mas isso não é o pior. O pior é que a Inter tem um olho em terra de cegos. Tem um time invencível na Itália, mas que no confronto com equipes européias sem nada demais, revela limites decisivos.

Não sei se Cannavaro se dopou ou se foi só picado por uma vespa mesmo. O que sei é que eu – e a torcida do Flamengo – temos uma impressão péssima do assunto. A aura de corrupção e impunidade jamais deixou a Itália após 2006 e acabar com ela é a condição básica para se pensar em uma retomada de colocação no futebol europeu. O fato é que a Itália não só se apequenou (porque o campeonato italiano hoje, não é que esteja abaixo de Inglaterra e Espanha, mas também de Alemanha e equiparando-se às ligas “médias” da Europa), mas parece estar conformada com isso. Só mudanças estruturais (i.e. troca de lugar do poder) no futebol, como as que ocorreram na Inglaterra com o Relatório Taylor, vão reverter a tendência.

Tags:
Get Adobe Flash playerPlugin by wpburn.com wordpress themes
preload preload preload

© 2009-2010 90 Minutos Todos direitos reservados