A César o que é de César
Confesso que estava preocupado com a atuação do árbitro Sandro Meira Ricci na partida entre Botafogo e São Paulo. Um juiz sem maior expressão num jogo potencialmente crucial para o campeonato era uma boa deixa para alguma maracutaia. E num jogo extremamente emocionante (o que não quer dizer que tenha sido tecnicamente fantástico), Ricci foi muito bem: expulsou quando tinha que expulsare não deixou de marcar o que tinha de marcar.
Há a questão dos gandulas do Botafogo, que deixou claro que ainda pensa como clube pequeno, daqueles de interior do Estado, prendiam a bola quando interessava para o alvinegro, mas a responsabilidade da punição é da federação. Mas aí, é a mesma federação que escalou o jogo para as 17h sob um calor escaldante, enquanto Fla e Goiás jogaram ao cair de uma agradável noite. Ou seja, não dá para esperar uma sensatez de gente racional.
Fator Flamengo
Ontem, quando Jobson marcou o terceiro gol do Botafogo, a vizinhança que não torcia para o São Paulo ou que torcia para o Flamengo foi à janela para gritar e comemorar a derrocada tricolor. E era justo. Num Maracanã lotado, sem chuva e com um clima aceitável (e não o forno das 17h), não dava para imaginar que o rubronegro não conseguisse superar o pior time do returno. Só que não conseguiu. Sem tirar os méritos do Goiás, o empate foi todo (ou quase) responsabilidade do Fator Flamengo - a incapacidade do clube, torcida e imprensa de lidar com a pressão que coloca sobre si mesmo. Se, ao invés de conjecturar sobre onde levaria o time - líder - para se concentrar nesta semana, se não encanasse em planos para a Libertadores, se não deixasse seus jogadores em polvorosa com um título dado como certo, teria mais tempo e foco para superar o Goiás. Sorte do São Paulo.