90 minutos | futebol internacional
1jun/093

Os palhaços

Ontem, domingo, o Brasil teve a confirmação do seu status de país de palhaços. A divulgação das sedes da Copa do Mundo, engendrada por Ricardo Teixeira, escolheu cidades cuja tradição no futebol é a nula. Claro, foram decisões políticas. O objetivo é fazer uma farra do boi com o dinheiro público na construção de estádios.

Pois preste atenção, internauta: você e eu bancaremos uma conta de cerca de R$35 bilhões para que as cidades abaixo tenham alguma partida da Copa e depois, tenham seus estádios para abrigar jogos dos seguintes clubes com as respectivas médias de público:

Mixto (MT), de Cuiabá: 2.755
Fortaleza (CE), de Fortaleza: 3.500
América (RN), de Natal: 4.419
ABC
(RN), de Natal: 3.624
Brasiliense (DF), de Brasília: 3.599
Holanda (AM), de Manaus*: 4.761
Nacional (AM) de Manaus: 1.021
Fast (AM), de Manaus: 961
Dom Pedro (DF), de Brasília**: 149!!!

*clube da cidade de Rio Preto (AM)
**clube da cidade de Nucleo Bandeirante

Me diz: não somos todos palhaços?

Ontem, durante a festiva transmissão de um canal de Tv a cabo da "secreta" escolha das cidades sede pela "Fifa" (entre aspas, porque até parece que a CBF não teve nada a ver com isso), um detalhe me enojou. Muito. Um jornalista, que é um chapa branca asqueroso, defendendo a CBF, a Fifa e a escolha de cidades sede como Manaus e Cuiabá.

Manauaras e cuiabanos: por favor, não me entendam mal. As cidades são lindas e os estados idem. Mas gastar 5 bilhões de reais para ter três jogos e depois os estádios ficarem jogados às traças é coisa de a) burro, b) ladrão ou c) os dois.

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10fev/092

Copa do Mundo no Brasil

Há um certo medo nos jornalistas brasileiros em declarar oposição à Copa do Mundo no Brasil. Mesmo os que são contrários, temerosos de se indispor com o público num assunto onde a preferência popular é claramente favorável, atestam: “Eu sou a favor da Copa, mas que não se gaste dinheiro público”.

É compreensível. Morar num país onde contece uma Copa do Mundo é algo fenomenalmente legal. Ter seleções na sua cidade e a história acontecendo ao lado de casa é uma delícia. Mas muito melhor é ter índices de analfabetismo baixos, governos com pouca corrupção, políticos menos pilantras, infraestrutura e qualidade de vida decente para a população.

Por isso, sem meias palavras, eu sou contra a Copa no Brasil. Ponto. Não adianta diferenciar que “eu seria a favor se não estivesse nas mãos da CBF”. Sim, se pudesse haver um milagre que me garantisse sob pena de extinção dos envolvidos, que a Copa não desviaria nenhum real do país, eu adoraria tê-la perto de casa. Mas isso é uma fábula, mentira, lenda, história da Carochinha. A Copa, nas mãos da CBF, é um instrumento sórdido de política e de favorecimento de aliados. Não é possível provar que existe corrupção de antemão, mas há indícios. Não há? Então que alguém me prove que Manaus pode ter um estádio de R$ 6 bilhões que depois se mantenha economicamente viável.

Não acho que quem defenda a Copa no Brasil esteja “errado”. Cada um tem direito a ter qualquer opinião. Os interessados que defendem a Copa aqui, como clubes que sonham com estádios, prefeitos que sonham com promoção, empreiteiros que sonham com concorrências fajutas e dirigentes que sonham com levar algum por fora, esses são indefensavelmente culpados. Aquele cidadão comum que defende os gastos para ver a Copa de perto, a esse, na melhor das hipóteses, eu classifico como ingênuo, embora muitos adjetivos piores possam ser usados dependendo do argumento utilizado para justificar sua preferência.

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