90 minutos | futebol internacional
3set/102

Mourinho já bate com o Real

Uma partida oficial e José Mourinho já teve seu primeiro atrito com o Real Madrid. Insatisfeito com Benzema e Higuain como opções de ataque, Mourinho pediu que o presidente Florentino Perez contratasse um atacante entre Samuel Eto'o e Didier Drogba.

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28mai/106

Mágoa em meio à alegria

Ainda em meio às comemorações pela conquista histórica da tríplice coroa – campeonato, copa europeia e copa nacional – da Inter, o presidente do clube, Massimo Moratti, revelou um incômodo com o anúncio de José Mourinho, que deve comandar o Real Madrid.

27mai/105

Saiu

A saída de Mourinho não é surpresa. Aliás, é sintoma de inteligência. Mourinho não poderia fazer mais nada na Inter e sabe que nos próximos anos, a concorrência de Milan e Juventus tende a voltar a ser similar à histórica. Além disso, o regime "Mourinhista" tem historicamente uma curta duração. Sua disciplina draconiana fatiga os envolvidos. Ir para o Real é uma aposta megalômana com boas chances de dar certo.

30abr/100

Mourinho também na Copa do Mundo?

A pouco mais de 40 dias do início da Copa do Mundo, uma nova possibilidade poderia agregar ainda mais ao torneio. Rumores vindos de Gana, uma das seleções do continente classificadas para a Copa, dão conta de que a federação local estaria negociando com José Mourinho, técnico da Inter de Milão, para comandar a seleção no Mundial.

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29abr/104

Show, Barça, Inter e o que o jogo permite.

Jamais em minha vida eu tinha visto um time renunciar à partida como fez a Internazionale diante do Barcelona. Cerca de 15% de posse de bola é a mesma proporção que um time profissional tem contra um amador. A diferença está nos detalhes. Com esses 15%, posicionamento e treino, Mourinho manteve o Barça à meia distância. E os catalães viraram história - uma feita pela Inter.

10fev/101

Ouvir o galo cantar e…

Uma nota publicada na imprensa brasileira (por muita gente, até gente séria) dá conta de que a máfia planejava raptar José Mourinho. Hoje, o Guardian traz a "verdade" da história.

A estória é assim. A "máfia" na verdade era uma família - pai, mãe e dois filhos - que anotavam as placas de carrões no subúrbio de Milão e descobriam o endereço dos mesmos através de um cadastro do Automóvel Clube local. A família, que morava num acampamento em Grezzago, perto de Milão, invadia as casas dos ricaços quando esses não estavam em casa. Nenhum dos quatro "mafiosos" tinham relação com crime organizado.

Ah, sim, faltou uma coisa. A única "Ligação" entre Mourinho e o crime era um recorte de jornal sobre ele no trailer da família "criminosa". Aos colegas jornalistas (de outros países também), o recado: não é porque "deu no Orkut" que é verdade. E tome baboseira...

15dez/096

Fim da linha a vista

É prematuro para uma previsão definitiva, mas acho que o casamento entre Internazionale e José Mourinho se aproxima do fim. O episódio da briga dele com um jornalista italiano (quase chegando ás vias de fato), uma explosão verbal que lhe custou uma expulsão e uma obsessão em dizer que não ficaria sem emprego se fosse demitido são sinais concretos de que isso  - uma separação - pode ocorrer.

Mourinho é pavio curto - sabe-se - mas em três anos de Inglaterra, ele jamais chegou a um nível de transtorno como o atual. Isso porque é líder do Italiano e sem concorrência aparente. Não se trata de dinheiro para contratar nem tempo para trabalhar. O português está pressionado politicamente por conta de seu gênio irascível e a quantidade de aliados vai diminuindo. Só um título da Liga dos Campeões poderia ser amplo o suficiente para resolver todas as mazelas.

4nov/094

Um dilema para Mourinho

José Mourinho é um treinador que faz o óbvio: parte de uma defesa sólida para poder desenvolver o ataque. Fez isso em todos os clubes que trabalhou. Seu primeiro Chelsea era motivo de piada pelo futebol feio antes de vencer o primeiro título. O sacrifício é necessário na implantação do esquema, pois a retaguarda só se monta com treino; o ataque pode depender dos indivíduos.

Na Internazionale, Mourinho enfrenta um problema. Não consegue impingir ao seu time a solidez defensiva do Porto e do Chelsea. Como não resolve o enigma, não consegue também fazer um meio-campo e ataque que empolguem e agradem até a ele mesmo. O sucesso interista na Itália se dá porque Milan e Juventus estão "sottotono" (rendendo menos que o esperado). Na Europa, a Inter não é mais do que um Villarreal.

O drama mourinhista tem raízes individuais e coletivas. Individualmente, o português não tem uma dupla de zaga que realmente lhe dê confiança. Além disso, não tem como abrir mão de um Maicon em fase super, mas a improvisação de Santon na esquerda (ele é lateral direito de origem) está demonstrando seus limites. Javier Zanetti, jogando no meio, é um jogador extremamente comum. So Cambiasso é prodigioso no trabalho defensivo, unindo quantidade e qualidade. Todo o resto sofre, mesmo com as adições recentes.

Sem conseguir fazer um alicerce à altura, a manobra ofensiva da Inter também não é fantástica. Stankovic precisa ter papéis defensivos atacando a saída de bola, assim como os atacantes externos. Além do mais, a Inter tem vários bons jogadores, mas nenhum craque, que é até uma marca do trabalho de Mourinho. Balotelli é o mais promissor, mas ainda é jovem. Eto'o rende mais quando joga num time todo fantástico.

Qual a saída? Por incrível que pareça, contratar. Mourinho precisa de uma dupla de zaga nova. Samuel ainda tem o que oferecer, mas Córdoba nem tanto e Materazzi nunca teve nada além de dar foiçadas em adversários. Além disso, Cambiasso precisa de um companheiro. Se diz na Itália que Marek Hamsik tem um acordo com a Inter, com a bênção do Napoli e essa sim seria uma contratação excepcional. Faltaria ainda o craque, o cara que desequilibra. Pode ser Balotelli, mas sua relação com Mourinho não sugere ser de longa duração. mas também pode ser que o português se seduza por uma proposta de um clube estrangeiro.

19ago/095

Prudência

Irritado com uma declaração do técnico da seleção italiana, Marcello Lippi, que apontou a Juventus como favorita ao título italiano, José Mourinho, treinador da Inter, fez o que sabe fazer de melhor – arrumar polêmica. "Lippi faltou com o respeito para com a Inter. Ele é técnico de todo o futebol italiano e não poderia dar uma opinião dessas", bateu. Lippi respondeu. "Era só um prognóstico. Achei que Mourinho fosse mais inteligente". "Capello [treinador da Inglaterra] ou Del Bosque [técnico da Espanha] jamais fariam tal comentário. Não perderei mais tempo com isso", foi a tréplica de Mourinho.

É bem verdade que o português – o melhor técnico do mundo atualmente, na minha opinião – gosta de arrumar polêmica. É uma maneira que ele tem de tirar a atenção de cima de seu elenco. Contudo, ele – mais uma vez – está fazendo inimigos desnecessariamente. No ano passado, já criou uma inimizade com Carlo Ancelotti e Claudio Ranieri. Agora, Lippi. Semanas atrás, bateu boca com o presidente da Lazio e provavelmente deve discutir também com Luciano Spaletti, que saiu em defesa de Lippi.

Na Itália, esse círculo de relacionamentos é muito importante. Não no futebol, mas na sociedade. É a cultura onde se desenvolveu a Igreja, onde nasceu Maquiavel. Os inimigos na Itália não se movem às claras, mas de modo acobertado e só aparecem para dar o golpe de misericórdia. Mourinho coleciona inimigos e está no clube que se transformou no mais odiado na Itália por causa das suas últimas conquistas. Milan, Juventus, Roma, Lazio, todos estão famintos por ver a Inter enterrada. E Mourinho ir junto seria um deleite extra.

Já abordei esse assunto aqui. Mourinho é um grande treinador e participar da mídia é importante, mas ele precisa respeitar a cultura local ou terá problemas. Felipão perdeu sua batalha na Inglaterra porque não soube "ler" a cultura local. Sem assessoria de imprensa adequada para lidar com a violência da mídia britânica e sem um "management" que o ajudasse, Felipão foi sendo comido pelas beiradas. Mourinho poderia evitar uma série de problemas simplesmente sendo mais inteligente. Aliás, exatamente uma das acusações de Lippi.

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5jun/092

Lendo nas entrelinhas, ou Como o treinador tem de entender a cultura local

José Mourinho é um treinador excepcional - entre os melhores de todos os tempos, enquanto profissional. Na Itália, especialmente a Itália capenga do momento, tem tudo para continuar se dando bem. Tudo não: falta-lhe uma coisa. Entender a cultura do país.Craque no banco, engatinhando nos bastidores....José Mourinho

"Entender a cultura" não tem a ver com aparições mediáticas comendo pizza, ouvindo música local ou falar o idioma. Tem a ver com a compreensão de como se dão as relações locais. É algo difícil, mesmo para pessoas preparadas, com estudo e vivência. Não que Mourinho seja incapaz disso (ele o fez bem na Inglaterra), mas até aqui ele não sacou nada da Itália.

Marcello Lippi é um mestre no que diz respeito a este tipo de compreensão. Verdade - ele está em seu ambiente. Mas o modo como Lippi lida com as questões políticas do futebol são uma aula de história. Na Juventus, jamais deu um pio contra o clube, controlado pela família mais tradicional e poderosa do país, os Agnelli. Não por acaso, acabou na seleção. Lá, seu filho "casualmente" (as aspas não são acidentais, como nada na Itália) acabou sendo convidado para ser sócio do mais poderoso escritório de agenciamento de jogadores do país, a GEA. Empresários italianos diziam à época que, para jogar na seleção italiana, só sendo empresariado pela Conhecendo os meandros....Marcello LippiGEA, que pertencia ao filho de Luciano Moggi, 'capo' da Juventus e mentor do esquema de corrupção que explodiu em 2006.

Quando esse escândalo explodiu, a Itália viajou à Alemanha sob intensa pressão. Lippi não deu um pio. Seguindo o princípio da "Omertá", o treinador segurou a barra, manteve a seleção nos trinques (aliás, fez uso da pressão para estimular o time) e jamais abriu a boca para denunciar o reclamar. Pôde sair depois da Copa e voltar em 2008 com calma. Faz parte da família e ainda negocia com ela. Convocou o meia D'Agostino, da Udinese, para a Copa das Confederações "coincidentemente" dias antes da Juve acertar sua compra (já são favas contadas). E a Juve pediu que ele liberasse Ciro Ferrara, seu assistente na seleção, para ser treinador? Feito.

Felipão foi mandado embora do Chelsea porque não soube fazer essa leitura. Mal-assessorado, preferiu não ter um tradutor. Para lidar com a devastadora mídia britãnica, confiou no assessor que o acompanha desde os tempos de Palmeiras, quando precisava lidar, no máximo, com críticos no Mesa Redonda. Caiu. Mourinho soube "ler" a Inglaterra. Lá, controlar a mídia é a chave. Na Itália, a chave é não se fazer inimigos. pelo menos, não os poderosos, como Lippi sabe bem. Os bate-bocas de Mourinho com Juventus e Milan não passarão em branco. Nem que leve tempo.

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