Nem cartola nem jornalista. Contraventor comum, segundo a justiça…
Depois de ter sido banido para sempre do futebol italiano, o ex-dirigente da Juventus e principal responsável pelo escândalo de corrupção que devastou a Itália, Luciano Moggi sofreu outro golpe.
Crise sem fim
A Juve está em crise. E o rei está nu. A afirmação é de uma obviedade assustadora e exatamente por isso, interessante. Futebolisticamente e administrativamente, o clube juventino se enterrou numa crise gerada pela pressão da mídia e da torcida e pelo não-reconhecimento de algo que é claro: Calciopoli destruiu o futebol italiano e por consequência, a Juventus.
Juve – a falência em campo
Quando acabou Calciopoli, a Juventus estava esfrangalhada. Nenhum de seus jogadores, além de Buffon, poderia se candidatar a uma posição num grande europeu. Perdidos Cannavaro, Zambrotta, Thuram e Ibrahimovic, o time ficou com cara de meio de tabelada Série A.
Juve – a falência administrativa
A pior perda da Juventus em Calciopoli não foi Ibrahimovic. O sueco é um excelente jogador, mas arrogante demais para virar o craque que quer ser. A pior perda foi Luciano Moggi. O ‘capo’ juventino, responsável direto pela derrocada da Itália como nação, é o melhor dirigente do mundo em termos de contratações.
Juve – o futuro
O que fazer para reerguer a Juventus? Simples e difícil. Abrir mão de títulos por alguns anos, aposentar a velharada do elenco, redesenhar as divisões de base e contratar mais promessas como Candreva para formar um time para o futuro.
Fim de ciclo – dentro e fora de campo
O fracasso completo e irretocável de Ciro Ferrara no comando da Juventus é mais do que uma simples queda de treinador num megaclube (isso se fosse possível uma simples queda de técnico num megaclube). Com Ferrara, vai ao chão a credibilidade de toda a diretoria que se montou após o escândalo de "Calciopoli" em 2006.
Itália reitera sua condição terceiromundista
Três anos e meio depois de causarem o maior dano da história do futebol italiano, Luciano Moggi, Roberto Bettega e Antonio Giraudo - a tríade de dirigentes juventinos - foi absolvida hoje pela justiça italiana por uma excrescência legal de "não-subsistência do fato".
Assim, a Itália se acomoda gostosamente junto ao Brasil no rol dos países que não são sérios. Sim, é verdade que não é exatamente uma novidade. Eleger Silvio Berlusconi sistematicamente para o cargo de premiê já indica alguma disfunção sociopolítica no país. Mas para nós, que acompanhamos o mundo do futebol, a absolvição de Moggi e sua ratatulha é que é definitiva na inclusão italiana na escória civil.
O mal causado por Moggi na sanha de obter prestígio e poder para si mesmo (a Juventus era apenas uma refém em posição confortável) levará, no mínimo, uma década para ser superado. Pode perfeitamente levar mais tempo que isso e pode também jamais ser revertido, porque o status quo do futebol italiano e o tipo de maracutaia sistemática que está enraizado no 'calcio' está absolutamente intocado. Todos os ratos ainda mordem seus queijos besuntados de lama, todas as cobras se esgueiram pelas mesmas pedras geladas e todo o lixo continua a apodrecer a olhos vistos.
A diferença, de verdade, está no campo. Não tem mais Kaká. Não tem mais Ibrahimovic. Espanha e Inglaterra estão um degrau acima e a competição agora é com campeonatos de porte menor. E se prepare: a Juventus já avisou que colocará a terceira estrela no peito caso vença o "scudetto" - assim, jogando no lixo a condenação esportiva por fraude. A Itália tem o que merece.