Dados interessantes antes de Roma x Milan:
Leia+ »
O Milan hoje não tem goleiro. Me questiono se não seria melhor para o clube promover alguém da divisão de base ou dar ritmo de jogo a Abbiati, que é pior que Dida no “shot-stop” mas tem noção de saída de bola, algo que o brasileiro jamais teve. Leonardo está mantendo Dida com base na ligação afetiva do jogador, algo que começa a criar mau humor em Milanello. Há alguns anos, Dida era o melhor do mundo para parar tiros de longe, mas deixava as bolas alçadas a cargo do melhor Maldini e do melhor Nesta, uma dupla que está entre as melhores da história. Hoje, Dida é razoável ao parar chutes de longe e só isso, como ficou claro no jogo contra o United.
E finalmente, Silvio Berlusconi vem à luz com sua trairagem arrudiana de político ao dizer que o Milan tem jogadores para vencer, mas é preciso fazer os mesmo jogarem bem. É uma traição com Leonardo, que aceitou um superdesafio ao pegar um Milan velho, com jogadores semiaposentados (Dida, Favalli, Ronaldinho, Inzaghi, Jankulovski) e sem reforços e o fez jogar bem dentro das suas limitações. Ronaldinho é um craque mas se não recupera o ritmo e velocidade de 2004/5, é um peso para um time que joga em cima da pressão dos laterais e que adianta os zagueiros para atuarem como líberos no meio-campo. Quando ele resolve jogar, a música é outra, mas de vez em quando, bons marcadores podem anulá-lo mesmo bem – o que dirá sem vontade. Berlusconi é traiçoeiro com Leonardo, ainda que o brasileiro tenha culpas como manter um Dida que não seria reserva do Palmeiras.
Tirando o chilique de José Mourinho ao final da partida, onde ele denunciava um complô contra uma líder de campeonato com nove pontos de vantagem, o sucesso interista sobre o Milan, não tem nenhum ponto a ser levantado. A Inter é muito melhor que o Milan, ainda que não jogue bonito e ainda que não tenha nenhum craque definitivo com exceção de um prodigioso Júlio César.
Confiando numa dupla de alas esforçada, no máximo, o Milan enfrentou a Inter sem Pato e Nesta. Na Inter, ausências do tipo teriam suplentes, mas na ’sponda rossonera’ da cidade, os dois deram lugar a Beckham e Favalli. Por outro lado, para “compensar” a ausência de Eto’o por um mês de Copa da África, contratou Pandev – o melhor segundo atacante da Itália, rivalizando com Alexandre Pato.
O Ronaldinho do auge do Barcelona talvez tivesse compensado Pato e Nesta, mas o atual, apesar de infinitamente melhor do que há seis meses, ainda não tem bala na agulha para se livrar de Maicon e ainda causar encrenca. Ronaldinho tem o talento, mas ainda não tem a velocidade nem o tempo de bola necessários a um ponta.
É impressionante a fase de Ambrosini no MIlan. O jogador é tido aqui como uma espécie de Jailton europeu, sempre foi um jogador extremamente inteligente taticamente, incansável, bom no jogo aéreo e que raramente erra um passe. Pouca gente se lembra do passe que ele deu para Gilardino fechar o placar no épico 3 a 0 sobre o Manchester em San Siro, em 2007. Ambrosini herdou uma faixa de capitão que pesava mais que o sistema solar e parece ter tirado vantagem disso. Além de ser o homem fundamental no esquema de Leonardo (dando peso ao meio-campo com qualidade no passe), joga em todo o campo, faz gols, dá assistências e marca como um leão. É hoje o melhor mediano italiano de longe. E no 5 a 2 sobre o Genoa, teve a delicadeza de mandar Huntelaar bater o terceiro pênalti.
Ok, o Milan ainda está longe de ser candidato sério ao título na Itália e menos ainda de ser o titã que sua história testemunha. Mas as últimas quatro partidas do time (Roma, Real Madrid, Chievo e Napoli) precisam ser levadas em consideração ao se dar algum mérito ao neotécnico Leonardo. Leia+ »
- José Mourinho e Balotelli não vão se acertar juntos. É mais do que claro. O atacante é um dos poucos jogadores que o português critica abertamente no elenco. É provável que Mourinho esteja tentando fazer um bem para o jogador ao “enquadrá-lo” publicamente para que ele baixe um pouco a bola. Contudo, é também provável que a Inter precise dar um desfecho para um deles se não quiser criar uma ferida. Um empréstimo de Balotelli seria o mais viável, embora tal medida significaria claramente que o jogador só voltaria em definitivo quando Mourinho deixasse o clube (vide Adriano). Balotelli tem um talento muito acima da média, mas também parece ter uma cabecinha de molusco em coma. Leia+ »
No sábado, escrevi sobre a Inter e como a Sampdoria tinhasido superior e comoum sucesso genovês no campeonato seria melhor para o futebol italiano. Daí, veio o domingo, quando o Milan jogou e não deixou nenhuma possibilidade de passar incólume de observação.
Não há, hoje, um time no Italiano jogando pior do que o Milan. Não, nem o Siena nem a Atalanta. A diferença de posições na tabela se dá porque o Milan tem jogadores individualmente muito melhores. Por exemplo, um Seedorf ou um Pirlo conseguem decidir um jogo sozinhos.Vergassola não consegue.
Quando Leonardo foi indicado para suceder Carlo Ancelotti, torci sinceramente para que ele se desse bem. É um cara inteligente, educado, entende a questão gerencial e política do futebol e não tem nada que o desabone no que toque à lisura (muito pelo contrário, até). Mas confesso que não via nele um perfil de treinador. Leonardo nunca foi um líder inconteste como jogador nem nunca aparentou entender o jogo profundamente em alguma declaração que desse.
O início de temporada do Milan confirma tais suspeitas. O time não tem elenco para ser campeão, isso é notório, mas poderia pelo menos oferecer resistência para lutar por uma vaga na Liga dos Campeões. Contudo, não tem um esquema, a preparação física parece precária e pontos cardeais do time como os já citados Seedorf e Pirlo parecem desambientados.
Leonardo pregava que queria, por causa da saída de Kaká, usar um 4-3-3 que tirasse a jogada da posição do ‘trequartista’, que paradoxalmente era um defeito do Milan. Sem Kaká ou com ele bem marcado, o time morria. Para isso, contudo, o MIlan dependeria de quatro pontos cruciais: uma zaga sólida, dois laterais com muito fôlego e técnica pra o apoio, um trio de volantes que combinasse solidez e técnica e uma combinação de atacantes com dois externos ágeis e móveis e um centroavante capaz de prender a zaga. De todos esses, só a zaga dá as caras no Milan, onde Thiago Silva e Nesta jogam um futebol “alla grande”.
Os laterais seriam fundamentais para abrir o jogo pelas extremas (cuja ausência era o maior pecado do Milan de Ancelotti), mas Zambrotta e Oddo não tem mais físico para dar conta do recado; Flamini, Gattuso e Pirlo poderiam fazer a combinação ideal no meio, se estivessem bem fisicamente, mas como não estão, a casa cai; Ronaldinho e Pato estão jogando a níveis de meio da tabela do Brasileirão e Huntelaar está visivelmente amedrontado diante de um time tão desorganizado.
O 4-3-3 é o esquema mais instável do futebol. Quando funciona bem, geralmente proporciona um futebol bonito porque abre opções para as jogadas e facilita a superioridade numérica – por isso a parte física conta muito, já que os jogadores têm de correr mais para ocupar espaços. Por outro lado, qualquer falha faz a casa cair. por exemplo: se um dos volantes não estiver bem fisicamente, não tem como os outros compensarem, porque já têm de correr nos seus limites; se o lateral não apóia, sobrecarrega o lado oposto e facilita a marcação. E assim por diante.
No Milan de Leonardo, tudo de errado acontece ao mesmo tempo. Para piorar, suas impostações táticas são equivocadas. Como bem observou um jornal italiano, o Milan, contra o Bari, passou boa parte do jogo com Pirlo de externo na esquerda e Seedorf na direita e nessas posições, eles rendem menos. Mas ainda mais sintomático do caos tático do time foi no momento em que Leo sacou Ronaldinho para colocar Oddo, enquanto o Bari escalava um terceiro atacante.
Antes que alguém possa inocentar Leonardo do prepáro físico escasso do time, cabe lembrar que nesta temporada, o regime de preparação no clube foi alterado exatamente por orientação do técnico. Os intensos trabalhos físicos dos anos anteriores deram espaço a exercícios sempre com bola. Em si, isso não é um erro (Barcelona e Inter, só para citar dois, trabalham assim há anos), mas certamente não é algo que se possa fazer de orelhada.
Não vejo espaço para Leonardo reverter a situação. Ancelotti reverteu várias crises porque tinha a confiança do grupo e parece nítido que o elenco não confia na capacidade de Leonardo. E mesmo que tivesse toda a capacidade, faltaria elenco para disputar qualquer coisa não só com Juve e Inter mas mesmo com Genoa e Sampdoria. Salvo engano, o Milan parece fora do campeonato depois de somente algumas rodadas.
