fev 04

Um jornal espanhol noticiou uma coisa que parece pataquada. Uma troca de Kaká por Diego e Chiellini. Se o Real fizesse isso, ou é porque Florentino Pèrez derreteu o cérebro em substâncias entorpecentes ou porque Kaká tem um problema MUITO sério. Se Diego nascer 10 vezes e em todas elas acumular o talento da gênese anterior, chegará a 80% de Kaká. Chiellini é o melhor central do mundo (exceto quando joga ao lado de Cannavelho). Vale acompanhar, ainda que tenha cheiro de mentira pura.

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jan 29

O fracasso completo e irretocável de Ciro Ferrara no comando da Juventus é mais do que uma simples queda de treinador num megaclube (isso se fosse possível uma simples queda de técnico num megaclube). Com Ferrara, vai ao chão a credibilidade de toda a diretoria que se montou após o escândalo de “Calciopoli” em 2006. Leia+ »

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nov 03

Diego parece definitivamente riscado da lista dungal, e mesmo na Juventus, seu futebol esmaeceu nas últimas rodadas. Um debate se gerava em torno de Kaká e Diego quando o primeiro aparecia no São Paulo e o segundo no Santos, sobre qual seria o melhor. Hoje é possível ver como a discussão era infértil. Kaká é o melhor do mundo na posição e Diego proporciona um lusco fusco, jogando bem em times médios como o Werder. Para dar certo na Juventus e no futebol italiano, Diego – que começou a temporada sob aplausos – precisa se dar conta que a marcação italiana é implacável. É a mais dura do mundo, mesmo com o futebol em baixa. Se quiser jogar, Diego tem de correr mais. Nisso, ele me lembra um pouco Alex, hoje no Fenerbahce: oceanos de talento limitados por uma mobilidade frágil. Excelentes em ligas que exijam menos fisicamente, mas que não conseguem fazer o salto entre o bom jogador e o fora de série.

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out 08

Quando um capitão da seleção campeã mundial é pego num exame de doping, a primeira reação é a de negação, nem que seja só no país em questão. Fabio Cannavaro, 35 anos, em melhor jogador da Europa, contudo, não recebe este tipo de guarida de forma unânime nem na Itália.

A carreira do zagueiro é pontuada por escândalos. Anos atrás, um video de Cannavaro se injetando uma substância misteriosa num quarto de hotel em Moscou, antes da final da Copa Uefa em 1999, correu o mundo. “Ah, como eu sou nojento”, dizia Cannavaro no vídeo. O Parma venceu a final (um passeio de 3 a 0 sobre o Olympique de Marselha) e o jogador disse que estava injetando “vitaminas”.

No escândalo do Calciocaos, já durante a Copa do Mundo, o então capitão da “Azzurra” Cannavaro defendeu explicitamente Luciano Moggi, arquiteto na maracutaia e à época “capo” da Juventus. No dia seguinte, foi obrigado a se retratar, refutando o apoio ao que dissera um dia antes, por determinação explícita da federação.

No lançamento do filme “Gomorra”, no qual o dia-a-dia da Máfia em Napoli é mostrado de maneiar crua e violenta (é uma espécie de “Cidade de Deus”), com os criminosos campeando e a gente comum tendo de se adaptar, Cannavaro disse que não gostava do filme porque denegria Napoli. “Claro, o problema é o filme, então”, ironizou um jornalista, crítico da posição do jogador, que é um ícone na cidade (ele é napolitano). Igualmente, no dia seguinte, ele deu outra declaração dizendo que não tinha dito nada daquilo.

Qualquer acusação de doping precisa ser levada a sério, mas quando acontece num país como a Itália, que tem um histórico recente da mais podre e fétida lama, e com um jogador cujo comportamento não parece ser exemplo nem para o mais duvidoso dos mortais, o cheiro fica mesmo insuportável. Mais ainda num momento em que a Juventus vai retomando seu lugar de “poderosa” no futebol italiano e mantém uma proximidade incômoda do treinador da seleção, da qual oito jogadores são juventinos. “Incômoda” porque ao se revelar que Lippi pode reassumir a Juventus depois do Mundial, nunca se sabe até onde o jogo de interesses está ditando as regras.

A verdade é que tanto a seleção quanto o futebol italiano de um modo geral são escravos de uma combinação nefasta que se formou com a conquista do Mundial aliada ao escândalo do Calciocaos. Os quadro dirigencial do futebol italiano (e aqui falo de um modo geral, envolvendo clubes e federação envolvidos diretamente ou não) tinha de ser expurgado após a desgraça planejada por Moggi, mas com a conquista do Mundial, ficou. Como herança, a seleção também manteve uma série de jogadores que hoje não estariam numa seleção dos 23 melhores jogadores da Itália, como Gattuso, Camoranesi, Grosso e Gilardino, por exemplo.

Nem a Inter, aparentemente a única que “ganhou” alguma coisa com o escândalo, teve ganhos reais. Todas as conquistas interistas terão sobre si a interrogação de se o time era bom ou se jogou sem adversários. Mas isso não é o pior. O pior é que a Inter tem um olho em terra de cegos. Tem um time invencível na Itália, mas que no confronto com equipes européias sem nada demais, revela limites decisivos.

Não sei se Cannavaro se dopou ou se foi só picado por uma vespa mesmo. O que sei é que eu – e a torcida do Flamengo – temos uma impressão péssima do assunto. A aura de corrupção e impunidade jamais deixou a Itália após 2006 e acabar com ela é a condição básica para se pensar em uma retomada de colocação no futebol europeu. O fato é que a Itália não só se apequenou (porque o campeonato italiano hoje, não é que esteja abaixo de Inglaterra e Espanha, mas também de Alemanha e equiparando-se às ligas “médias” da Europa), mas parece estar conformada com isso. Só mudanças estruturais (i.e. troca de lugar do poder) no futebol, como as que ocorreram na Inglaterra com o Relatório Taylor, vão reverter a tendência.

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ago 27

Bayern de Munique x Juventus é um clássico europeu por natureza. Os maiores campeões de Itália e Alemanha têm times e técnicos novos e precisam de um sucesso europeu desesperadamente. A presença do Bordeaux do perigosíssimo Gourcuff é o fator de instabilidade, podendo refazer a hierarquia na chave. Seis jogos imperdíveis. Caso o Maccabi Haifa tire um coelho da cartola e complique a vida de alguém, a coisa fica ainda melhor.

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ago 10

Se no caso da Inter a situação ainda pede retoques, Juventus, Milan e Roma muito mais que isso.

A Juve é a mais completa, mas dependerá profundamente do rendimento de Diego. Se o brasileiro jogar o que se espera dele, o time titular da Juventus luta pelo título, e neste caso, o único adversário seriam possíveis contusões. Mas lembremos que se adaptar ao futebol italiano é muito mais difícil que fazer o mesmo na Espanha ou Alemanha. O ritmo é mais alto e a marcação mais forte. Diego foi bem em Bremen, mas fracassou no Porto e na Seleção, jamais teve uma grande atuação.

O Milan está a léguas de distância da Juve (o que dirá da Inter). Não tem goleiro (o melhorzinho é o mediano Abbiati), não tem reservas para a zaga, não sabe se Ronaldinho quer jogar ou prefere a vida mundana das baladas e tem um técnico com experiência zero. Gosto muito de Leonardo, mas acho que ele não dará conta do recado porque a situação que ele enfrenta era tarefa para um treinador tarimbadíssimo. Na pré-temporada, ele já jogou com três esquemas (4-3-3, 4-4-2 e 4-3-1-2) e nenhum virou. Só o miolo de meio-campo, com Gattuso, Pirlo, Flamini e Ambrosini, oferece algum conforto.Sem reforços, o Milan pode comemorar muito caso chegue a uma vaga na Liga dos Campeões.

A Roma vive uma situação parecida com a do Milan, mas tem duas vantagens: um técnico com cancha e um time entrosado. Totti fez chover contra o Ghent, time médio da Bélgica, mas está longe, muito longe de ser o Totti que já foi.Não é acaso que Marcello Lippi já tenha fechado a porta a uma volta sua à seleção. O capitão romanista pode ser fundamental para a Roma caso compreenda que tem quase 33 anos e que não tem como jogar todas as partidas. Assim, pode fazer crescer as inúmeras promessas do time, como fez com De Rossi e Aquilani.O cerne da Roma tem de passar para De Rossi e Vucinic. Caso Totti não compreenda isso, virará um peso para a equipe.

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jun 23

Com algum atraso, entrego aos visitantes uma olhada em como seria a Juventus de hoje.A principal diferença em relação ao time de Claudio Ranieri é a alteração do fluxo de ataque. Com Ranieri, a Juve era um time que buscava insistentemente as jogadas pelas laterais, tendo o centro do meio-campo fechado por uma dupla de ferrolhos (Sissoko e Zanetti), num 4-4-2 tradicional.

A chegada de Diego altera isso completamente. O cerne da armação passa a ser no brasileiro, que tentará dar á Juventus um pouco mais de técnica no setor, apoiado por trôlantes hábeis na retenção e proteção da bola. Marchisio é o que tem um pouco mais de liberdade para avançar, especialmente pela direita. Isso porque a faixa destra do time tem em Zebina um zagueiro que se arrisca pouco, enquanto na esquerda, seja com Molinaro, seja com Grosso (caso seja contratado), a idéia é a de um “fluidificante” (nome dado pelos italianos aos laterais que descem ao ataque) que componha o meio-campo e chegue à linha de fundo. No ataque, dois jogadores fortes fisicamente, com presença de área, mas que também têm velocidade e sabem se mexer.

A defesa juventina é que ainda inspira cuidados. Zebina não é o jogador menos atrapalhado do mundo; Cannavaro e Chiellini, como se viu na Copa das Confederações, não passam por seus melhores momentos e Molinaro ainda não atendeu às expectativas, além de estar se recuperando de uma lesão séria. Verdade, ainda há Buffon. Para sorte da Juve, pelo menos o novo técnico, o ex-zagueiro juventino e “azzurro” Ciro Ferrara, conhece a posição.


PS: Todos os esforços serão feitos para analisar a Internazionale nesta quarta…

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jun 05

José Mourinho é um treinador excepcional – entre os melhores de todos os tempos, enquanto profissional. Na Itália, especialmente a Itália capenga do momento, tem tudo para continuar se dando bem. Tudo não: falta-lhe uma coisa. Entender a cultura do país.Craque no banco, engatinhando nos bastidores....José Mourinho

“Entender a cultura” não tem a ver com aparições mediáticas comendo pizza, ouvindo música local ou falar o idioma. Tem a ver com a compreensão de como se dão as relações locais. É algo difícil, mesmo para pessoas preparadas, com estudo e vivência. Não que Mourinho seja incapaz disso (ele o fez bem na Inglaterra), mas até aqui ele não sacou nada da Itália.

Marcello Lippi é um mestre no que diz respeito a este tipo de compreensão. Verdade – ele está em seu ambiente. Mas o modo como Lippi lida com as questões políticas do futebol são uma aula de história. Na Juventus, jamais deu um pio contra o clube, controlado pela família mais tradicional e poderosa do país, os Agnelli. Não por acaso, acabou na seleção. Lá, seu filho “casualmente” (as aspas não são acidentais, como nada na Itália) acabou sendo convidado para ser sócio do mais poderoso escritório de agenciamento de jogadores do país, a GEA. Empresários italianos diziam à época que, para jogar na seleção italiana, só sendo empresariado pela Conhecendo os meandros....Marcello LippiGEA, que pertencia ao filho de Luciano Moggi, ‘capo’ da Juventus e mentor do esquema de corrupção que explodiu em 2006.

Quando esse escândalo explodiu, a Itália viajou à Alemanha sob intensa pressão. Lippi não deu um pio. Seguindo o princípio da “Omertá”, o treinador segurou a barra, manteve a seleção nos trinques (aliás, fez uso da pressão para estimular o time) e jamais abriu a boca para denunciar o reclamar. Pôde sair depois da Copa e voltar em 2008 com calma. Faz parte da família e ainda negocia com ela. Convocou o meia D’Agostino, da Udinese, para a Copa das Confederações “coincidentemente” dias antes da Juve acertar sua compra (já são favas contadas). E a Juve pediu que ele liberasse Ciro Ferrara, seu assistente na seleção, para ser treinador? Feito.

Felipão foi mandado embora do Chelsea porque não soube fazer essa leitura. Mal-assessorado, preferiu não ter um tradutor. Para lidar com a devastadora mídia britãnica, confiou no assessor que o acompanha desde os tempos de Palmeiras, quando precisava lidar, no máximo, com críticos no Mesa Redonda. Caiu. Mourinho soube “ler” a Inglaterra. Lá, controlar a mídia é a chave. Na Itália, a chave é não se fazer inimigos. pelo menos, não os poderosos, como Lippi sabe bem. Os bate-bocas de Mourinho com Juventus e Milan não passarão em branco. Nem que leve tempo.

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