Benitez-Inter: questão de horas
O diário espanhol As garante que o contrato entre Internazionale e Rafa Benitez é questão de horas.
Chato
Para mim, hoje, José Mourinho é o melhor técnico do mundo. Carlo Ancelotti, caso vença a Liga dos Campeões, pode recuperar a ponta, mas o português ainda é o melhor. Sua carreira indica que seu comportamento mediático de brigar com todo mundo é uma constante para ltirar a pressão de seus jogadores - medida inteligente que outros grandes técnicos fizeram, como Telê Santana, Luiz Felipe Scolari e Alex Ferguson. Mas Mourinho já passou do ponto. E faz tempo. Com seu time líder, reclama de "roubos" de arbitragem que não ocorrem. Sua política de "todos querem nos roubar" (exatamente a mesma de Porto e Chelsea), atingiu níveis malísticos. A Internazionale é o melhor elenco da Itália, mesmo antes de Mourinho. Roma e Milan não estão nas suas canelas. E Mourinho continua buscando o holofote. Um cara inteligente, competente ao quadrado e ainda melhorando como técnico, não deveria fazer o papel de bobo que vem fazendo.
Quão efêmero é um amor
Primeiro, Adriano deu um cambau na Inter para ser emprestado ao São Paulo. Depois, entrou em "depressão profunda" e acabou convencendo a Inter a rescindir seu contrato (que já tinha valido dezenas de milhões de reais) por nada e "misteriosamente" sua depressão passou. A paixão no Flamengo, eterna até ontem, agora virou "saudades da Itália" e até um amor pela Roma surgiu. Adriano terminará sua carreira como o maior craque não-realizado desde Edmundo, outro gênio com QI limitado. Que ele é um baita jogador, não há dúvidas, mas sua contratação é sempre um risco. Depende-se do seu humor e do seu empresário. Sua carreira na Europa está fadada a clubes médios. No Brasil, mesmo com um ritmo de treinamentos regado a festas, seu rendimemtno é acima da média.
Fim da linha a vista
É prematuro para uma previsão definitiva, mas acho que o casamento entre Internazionale e José Mourinho se aproxima do fim. O episódio da briga dele com um jornalista italiano (quase chegando ás vias de fato), uma explosão verbal que lhe custou uma expulsão e uma obsessão em dizer que não ficaria sem emprego se fosse demitido são sinais concretos de que isso - uma separação - pode ocorrer.
Mourinho é pavio curto - sabe-se - mas em três anos de Inglaterra, ele jamais chegou a um nível de transtorno como o atual. Isso porque é líder do Italiano e sem concorrência aparente. Não se trata de dinheiro para contratar nem tempo para trabalhar. O português está pressionado politicamente por conta de seu gênio irascível e a quantidade de aliados vai diminuindo. Só um título da Liga dos Campeões poderia ser amplo o suficiente para resolver todas as mazelas.
Um dilema para Mourinho
José Mourinho é um treinador que faz o óbvio: parte de uma defesa sólida para poder desenvolver o ataque. Fez isso em todos os clubes que trabalhou. Seu primeiro Chelsea era motivo de piada pelo futebol feio antes de vencer o primeiro título. O sacrifício é necessário na implantação do esquema, pois a retaguarda só se monta com treino; o ataque pode depender dos indivíduos.
Na Internazionale, Mourinho enfrenta um problema. Não consegue impingir ao seu time a solidez defensiva do Porto e do Chelsea. Como não resolve o enigma, não consegue também fazer um meio-campo e ataque que empolguem e agradem até a ele mesmo. O sucesso interista na Itália se dá porque Milan e Juventus estão "sottotono" (rendendo menos que o esperado). Na Europa, a Inter não é mais do que um Villarreal.
O drama mourinhista tem raízes individuais e coletivas. Individualmente, o português não tem uma dupla de zaga que realmente lhe dê confiança. Além disso, não tem como abrir mão de um Maicon em fase super, mas a improvisação de Santon na esquerda (ele é lateral direito de origem) está demonstrando seus limites. Javier Zanetti, jogando no meio, é um jogador extremamente comum. So Cambiasso é prodigioso no trabalho defensivo, unindo quantidade e qualidade. Todo o resto sofre, mesmo com as adições recentes.
Sem conseguir fazer um alicerce à altura, a manobra ofensiva da Inter também não é fantástica. Stankovic precisa ter papéis defensivos atacando a saída de bola, assim como os atacantes externos. Além do mais, a Inter tem vários bons jogadores, mas nenhum craque, que é até uma marca do trabalho de Mourinho. Balotelli é o mais promissor, mas ainda é jovem. Eto'o rende mais quando joga num time todo fantástico.
Qual a saída? Por incrível que pareça, contratar. Mourinho precisa de uma dupla de zaga nova. Samuel ainda tem o que oferecer, mas Córdoba nem tanto e Materazzi nunca teve nada além de dar foiçadas em adversários. Além disso, Cambiasso precisa de um companheiro. Se diz na Itália que Marek Hamsik tem um acordo com a Inter, com a bênção do Napoli e essa sim seria uma contratação excepcional. Faltaria ainda o craque, o cara que desequilibra. Pode ser Balotelli, mas sua relação com Mourinho não sugere ser de longa duração. mas também pode ser que o português se seduza por uma proposta de um clube estrangeiro.
Drops italianos
- José Mourinho e Balotelli não vão se acertar juntos. É mais do que claro. O atacante é um dos poucos jogadores que o português critica abertamente no elenco. É provável que Mourinho esteja tentando fazer um bem para o jogador ao "enquadrá-lo" publicamente para que ele baixe um pouco a bola. Contudo, é também provável que a Inter precise dar um desfecho para um deles se não quiser criar uma ferida. Um empréstimo de Balotelli seria o mais viável, embora tal medida significaria claramente que o jogador só voltaria em definitivo quando Mourinho deixasse o clube (vide Adriano). Balotelli tem um talento muito acima da média, mas também parece ter uma cabecinha de molusco em coma.
Uma Sampdoria empolgante
O sucesso da Sampdoria neste sábado está longe de ser uma sorte, coincidência ou fase. O time de Gênova, que na última década viveu tempos difíceis, chegando quase à Série C, trabalhou forte para reorganizar o clube e se vê. A Samp é um dos melhores times da Itália.
José Mourinho teve um oponente à altura neste sábado. Luigi Del Neri, que é muito questionado - especialmente depois de sua passagem fracassadíssima no Porto (não chegou a dirigir o time em nenhuma partida), montou uma Samp com a cara de seu primeiro Chievo: coletiva, valorizando a posse de bola e sempre visando o gol adversário.
Outra característica da excelente Sampdoria é a de não fazer contratações estrambólicas, mas apostar com inteligência nem novos talentos - especialmente italianos. Jogadores como Pazzini, Poli, Foti e Palombo refletem isso (embora Pazzini tenha sido a contratação mais cara do clube, €12 milhões). Dos 30 jogadores do time profissional, somente quatro são estrangeiros - uma marca quase sem igual na Europa.
A derrota da Inter não é surpreendente. Não há dúvidas de que os "nerazzurri" sejam o melhor time da Itália há anos, mas ser o melhor não significa ser excelente. Times como Genoa e Samp podem sim desbancar o time de Mourinho, que ainda depende demais dos lampejos de criatividade de alguns craques. O time melhorou sensivelmente em relação ao ano passado - inclusive pela diminuição na dependência de um ou dois nomes, mas ainda não é o que Mourinho gostaria que fosse.
Um título de Genova seria muito mais legal e saudável para o futebol italiano do que o penta da Inter ou mais um "scudetto" da Juve. São times formados ao longo dos anos, sem os excessos dos clubes grandes e com projetos a longo prazo. É tudo o que a Itália precisa para voltar a fazer parte da elite do futebol europeu.