fev 22

Tenho de admitir que se o campeonato estadual gera interesse, isso precisa ser respeitado. Não posso dizer que está errado gostar de um torneio como a Taça Guanabara, que começa com quatro semifinalistas praticamente certos e chega às semifinais com quatro seminialistas esperados. Cada um gosta do que quer. E hoje, especialmente o torcedor do Botafogo deve estar feliz.

Da mesma maneira, me sinto à vontade para achar o estadual um lixo. Um lixo completo. Um verdadeiro oceano de entulho. Para saciar a sede dos clubes, o torneio segue suscitando polêmicas e discussões como se fosse sério, como se os grandes clubes (não só no Rio) não estivessem se preparando é para o Brasileiro. O sucesso do Botafogo tem valor nulo no que diz respeito à força do time para o Nacional.

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fev 01

Voltaram os estaduais. Realmente lamento por isso. Torcedores (na mídia e nas arquibancadas) de clubes que se distanciam cada vez mais do rótulo de “Grandes” do futebol brasileiro voltarão a se inebriar com vitórias sobre Caldenses, Duques de Caxias e Sertãozinhos e o ‘hype’ para o Brasileiro se estebelecerá. Daí, os que querem dizer o que tem de ser dito, passamos por “bairristas”, “Torcedores”, “maus profissionais”, “filhos da p…” e por aí vai. Ninguém consegue ligar os pontos e ver que tal time não ganha um título há vinte anos, ou que esse outro só contrata refugos emprestados por um empresário “x”. Não.

Leio uma nota na qual o lateral de um time “grande” “celebra” a grande fase do time. Sim, porque venceu o Atlético Moluscos por 1 a 0, gol de pênalti, é uma “grande fase”. E isso também vale para os times que são “Grandes” mesmo (ou seja, têm recursos para contratar jogadores melhores e são geridos por cartolas menos corruptos e incompetentes”. Os Estaduais são uma farsa – a farsa que convenceu que Keirrison já estava pronto para a Seleção, que faz com que acredite-se que um campeão estadual é favorito ao título, e principalmente, a farsa que mantém as federações estaduais – estruturas anacrônicas, inúteis e falidas na maioria dos casos, que são em última instância, a arma para Ricardo Teixeira ficar no poder da CBF. O ano do futebol no Brasil começou. Que pena que mais uma vez, com esses torneios patéticos.

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mar 16

Escutando as discussões sobre a importância do Estadual, sinto que realmente, mesmo os jornalistas sérios, acabam se entregando àquilo que o torcedor quer ouvir. E ele quer ouvir que, sim, o time dele tem condição de ser campeão estadual – por menos que isso signifique.

Só que alem de não significar nada, ainda pode ser o prelúdio de um ano bem mala. Numa contagem dos últimos 18 anos, se pegarmos os campeões estaduais dos regionais menos patéticos (SP, RJ, MG e RS), nos damos conta de que só seis deles conseguiram bisar o título estadual com o Brasileiro: o São Paulo de Telê (1991), o primeiro Palmeiras de Luxemburgo (1993/1994), o Grêmio de Felipão (1996), o primeiro Corinthians de Luxemburgo (1999) e o Cruzeiro de Alex e Luxemburgo (2003). Ou seja, os autores das proezas foram os melhores times que esses clubes tiveram nos últimos 20 anos.

Os Estaduais também não se refletem na Copa do Brasil: das 18 edições da Copa entre 1990 e 2008, só em cinco delas o campeão estadual levou a taça nacional (Inter em 1992, Corinthians em 1995, Cruzeiro em 1996 e 2003, Grêmio em 2001).

O preocupante para quem está louco para poder comemorar o triunfo de seu time sobre o Democrata ou sobre o Mirassol é ver que 34 dos títulos estaduais no período (são 72 ao todo, contando quatro títulos por ano nos quatro estados) ficaram com times que, no fim do mesmo ano, amargariam uma colocação da 10ª para baixo no Brasileiro no mesmo ano, sendo que 14 deles terminariam o Nacional em posição que hoje equivaleria ao rebaixamento.

Há conclusões possíveis? Creio que sim. O título estadual é decidido num momento em que a preparação física e tática do time ainda é precária. Mesmo assim, imprensa e torcida (especialmente no Rio de Janeiro) colocam uma grande pressão para que seus times vençam, minando qualquer possibilidade de estabilidade, vide o que acontece no Rio hoje, onde exceção feita ao campeão estadual, quem perder vai balançar. Renê Simões mesmo já foi vítima desta pressão.

Outra conseqüência, esta pior para a torcida, é que o sucesso no Estadual cria falsas ilusões, com raras exceções (basta ver que os times que conseguiram títulos estaduais e brasileiros no mesmo ano eram muito fortes mesmo). Exemplos não faltam: o Palmeiras do “mago” Valdivia, o Atlético-MG que goleou o Cruzeiro na final de 2007 ou do Corinthians de “Mestre” Geninho em 2003.

O colunista da BBC, Tim Vickery, faz uma pintura clara do que são os Estaduais: um torneio anacrônico que têm um único e exclusivo motivo para existir: sustentar o status quo do futebol – leia-se as federações, confederações e todo tipo de cartolagem. Graças a ele não podemos ter um calendário melhor, menos (mas melhores) jogos e temos de sustentar ficções clubísticas como Macaé, Resende e Barueri. Claro que “gostar” ou não do Estadual é uma questão de opinião e por isso, indiscutível. “Defendê-lo” como tendo ele sendo benéfico ao futebol do país como um todo, é outra coisa.

Mudou de idéia em relação a vencer o fantástico estadualzão? Ou aquele clássico com o Mesquita ainda te seduz?

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fev 16

No Brasil, tivemos um domingo à altura dos campeonatos estaduais. Insensato, triste, frustrante,

SP: uma idéia irresponsável e inoportuna (ainda que absolutamente dentro dos seus direitos) da diretoria do São Paulo motivou uma campanha imbecil em uma mídia ainda mais imbecil. Motivo: limitação de ingressos para torcidas visitantes – fato que ocorre em TODOS os clássicos locais do mundo. A atitude impensada do SPFC faz com que Andres Sanches, então presidente e candidato à reeleição no Corinthians, passasse a semana dando declarações classificando o São Paulo como “inimigo” e jurando vingança, além de dar todos os ingressos mais baratos para a torcida organizada. Resultado: depredação do Morumbi, confronto dos torcedores profissionais com a polícia e dezenas de feridos.

MG: um morto e 40 feridos por causa de um jogo inútil, em um campeonato risível, digno de pena, triste e anacrônico, entre dois times que têm uma rivalidade empalhada: há mais de 10 anos que não há páreo entre Galo e Raposa. Nem a empolgação com os sinais de um projeto que, a longo prazo, possam levar o Atlético-MG de volta à condição de “grande” valeriam um simples bate-boca, quanto mais o assassinato covarde e vil.

É ridículo, impensável, idiota. Concordo plenamente com o Mauro Cezar Pereira quando diz que reduzir a carga de ingressos para o visitante seja recibo de incompetência, mas talvez não haja outra maneira. Ou melhor, maneira há: mandar para a cela mais gelada e embolorada possível, até que o Universo se desfaça, todo e qualquer “torcedor” organizado que se envolver em confrontos em dias de jogos (não só perto dos estádios, mas em toda a cidade). Como sempre, são criminosos fantasiados de torcedores que dão vazão a uma frustração explicável sociologicamente, mas justamente pela futilidade de princípios, teriam de servir como um superanabolizante para as sentenças. Digamos, entre 5 e 10 anos de reclusão em isolamento estariam bem para esse tipo de comportamento, além de banimento eterno dos estádios (vide Inglaterra). Infelizmente, para tal medida, falta coragem, falta ter “aquilo roxo” como já nos brindou um ex-presidente de triste legado.

Mas tem a mídia. “Ah, a mídia de tanta gente…” como diria Wanderley Nogueira. Acontecida a baderna, agora todo mundo desce o pau na diretoria do São Paulo e na demagogia eleitoral do Corinthians, mas ninguém para e pensa que foram horas e horas sendo gastas na semana passada elevando a questão dos ingressos a um crime inafiançável, um desacato internacional, um genocídio futebolístico. A esses comentaristas, formados em faculdades patéticas, sem condição de esboçar um texto minimamente legível e com a bagagem cultural de um protozoário, um sistema justo também atribuiria responsabilidade – e punição. Exposição e influência trazem consigo uma responsabilidade que poucos têm condição de exercer. Os mortos e feridos deste final de semana que o digam. O que aconteceu neste final de semana tem participação direta da imprensa, mesmo que, como sempre, ela se recuse a reconhecer.

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