As melhores contratações da temporada, testadas pelo campo
A temporada não acabou mas já dá para ver quem se deu bem e quem não se deu no mercado de contratações. Abaixo, segue um time que eu selecionei com as 11 que eu acho foram as mais interessantes. Contratações que estão indo bem mas custaram os olhos da cara (tipo Ibrahimovic - ainda que se discuta se ele está indo bem mesmo), não entram. De cara, concluí duas coisas: Bordeaux e Inter de Milão parecen ter sido os dois times mais "felizes" no mercado, e o Real Madrid, o mais tosco (isso ainda porque Huntelaar não explodiu no Milan). Que lindo é ver o Real e sua arrogância irem para as cucuias. (clique na imagem para vê-la maior)
Outro equívoco
O Santos finalmente abriu a ferida e vai dimensionar o custo que a era Marcelo teixeira teve para o clube. O time da Vila tem o menor potencial financeiro dos grandes paulistas e gastava na medida oposta. Terá de pagar as contas por isso. E certamente, não faltarão asnos que pedirão a volta do ex-presidente.
A reformulação e plano de transparência no clube são corretos. A contratação de Dorival Júnior também. O que me parece um engano é achar que Dorival fará um time para lutar pelo título. Todos os times que ele montou até hoje eram flácidos na defesa e não me consta que haja grandes novidades no elenco do Peixe para mudar isso. Neymar e, principalmente Paulo Henrique - para mim, a verdadeira promessa do clube - devem ser a base do futuro, mas convém não achar que 2010 virá com títulos. O prazo médio para um time que volta do rebaixamento recuperar a capacidade anterior é de cinco anos. O Santos, devido à gestão Teixeira, provavelmente tem hoje as finanças combalidas de um time recém-promovido. Por isso, torcedor, sente-se pacientemente e curta a formação de um time jovem e genuíno, algo tão gostoso quanto vencer troféus. Se for para ir à Vila descontar suas frustrações, amarre uma corda na balsa que liga ao Guarujá e tente rebocá-la a nado até a vontade de espernear passar.
Equívoco
O critério usado pelo São Paulo na sua campanha de reforços é um mau indício para 2010. Contratar Léo Lima e André Luís sob a justificativa de que o time precisa de mais "bad boys" é uma mentalidade de dirigente de clube de bairro. Fernandinho é uma excelente contratação, mas é um investimento da Traffic; Marcelinho e Carlinhos Paraíba têm pesos diversos, mas não necessariamente são decisivos. Xandão, apesar de ser o menos falado, é o mais promissor. Ao invés de "seis ou sete reforços", mais valeria um lateral direito capaz de resolver o problema da posição e um zagueiro como Breno. O resto poderia vir tranquilamente da base.
Mercado
Eu sempre gostei de acompanhar o período intercampeonatos na Europa. O mercado de futebol sempre foi um espaço interessante para ver como os times estavam privilegiando seus planejamentos (ou, a falta deles). Se um grande clube perdia um craque, como buscava o seguinte e assim por diante. Segundo uma pesquisa de um jornal italiano em 1999, o 'calciomercato' era o assunto de maior interesse para os homens, superando até mesmo os resultados de suas equipes.
Só que perdeu a graça. Com o crescimento da influência de um "player" rigorosamente inútil e nocivo - o empresário - os noticiários são bombados com mentiras para acelerar a quantia de transações. "Necessidades" são inventadas para os clubes em cima da ganância desses agentes, que não contribuem em nada com o sistema e são ajudados por jornalistas que, sem ter capacidade de buscar notícias de verdade, se vendem em troca de um "furo" ridículo qualquer. Isso para não se falar na participação cada vez maior de treinadores nas contratações. Alguns, como o técnico do Tottenham, são notórios pelas suas "proximidades" com empresários. Redknapp é o sexto treinador mais rico da Inglaterra e até a Copa da Inglaterra conquistada pelo Portsmouth em 2008, jamais tinha vencido uma taça. Em menos de um ano, ele já fechou dezessete contratações para o clube de White Hart Lane. Acaso ou não, Redknapp é um dos personagens mais envolvidos na investigação da justiça britânica sobre o pagamento de propinas nas contratações de atletas.
O mercado não perdeu a graça só por causa de empresários sem caráter nem escrúpulo ou técnicos corruptos. Perdeu a graça porque não se trata mais de um jogo de estratégia e planejamento. Há dez anos, os grandes clubes da Europa disputavam entre si os melhores jogadores do mundo. Cada um se garantia um ou dois e a competência fazia o resto. Hoje, os clubes que têm sucesso são exatamente aqueles que trazem o dinheiro mais suspeito. Seja o Real Madrid e seu "apoio" informal do estado e do establishment espanhóis, sejam clubes sem expressão como Chelsea e Manchester City que, envolvidos com gente da estirpe de Kia Joorabchian, investem quantias irreais em transações nitidamente ilegais. Milan, Bayern, Porto, Ajax (para citar só campeões europeus) são, hoje, times que vivem dos restos dos milionários suspeitos.
Platini já falou contra o "doping" financeiro desses clubes, mas talvez não tenha se dado conta da relevãncia que isso tem. O futebol europeu está se transformando num brinquedo de oligarcas corruptos, sheikhs zilionários que vivem da exploração da miséria de seus povos e agentes interessados em fazer com que os atletas troquem de clube uma vez por ano. O fascínio de um confronto entre Liverpool e Juventus, entre Del Piero e Garrard está sendo trocado pela vulgaridade de uma partida entre Manchester City e Zenit. Esses excessos terão fim, por bem ou por mal. Até que eles acabem, nos resta a saudade dos jogos de verdade.
