Li uma entrevista de Dunga na qual ele se deu um título. “Eu sou o anti-marketing”. Isso era algo que eu temia – que Dunga se visse como um poderoso personagem capaz de enfrentar inimigos e apto a abrir mão de jogadores talentosos. O autotítulo claramente denota uma injeção na arrogância do técnico, que agora se acha acima do bem e do mal. É o caminho de uma derrocada sua e provavelmente nossa Leia+ »
Segundo a Folha de hoje, o “estafe” do jogador Neymar (se algum dos internautas souber o que é o “estafe” de Neymar, favor informar) não quer que Pelé peça a convocação do santista porque temem que Dunga pegue bronca com o menino. Como sempre, dribles nos Estaduais arrancam da mídia pedidos de “Seleção”. Leia+ »
Parece (digo “parece” porque não cubro a Seleção in loco, graças a Deus) que o elenco da Seleção Brasileira se fechou em torno de uma convocação que premie os mais fiéis em detrimento dos mais talentosos. Leia+ »
Voltaram os estaduais. Realmente lamento por isso. Torcedores (na mídia e nas arquibancadas) de clubes que se distanciam cada vez mais do rótulo de “Grandes” do futebol brasileiro voltarão a se inebriar com vitórias sobre Caldenses, Duques de Caxias e Sertãozinhos e o ‘hype’ para o Brasileiro se estebelecerá. Daí, os que querem dizer o que tem de ser dito, passamos por “bairristas”, “Torcedores”, “maus profissionais”, “filhos da p…” e por aí vai. Ninguém consegue ligar os pontos e ver que tal time não ganha um título há vinte anos, ou que esse outro só contrata refugos emprestados por um empresário “x”. Não.
Leio uma nota na qual o lateral de um time “grande” “celebra” a grande fase do time. Sim, porque venceu o Atlético Moluscos por 1 a 0, gol de pênalti, é uma “grande fase”. E isso também vale para os times que são “Grandes” mesmo (ou seja, têm recursos para contratar jogadores melhores e são geridos por cartolas menos corruptos e incompetentes”. Os Estaduais são uma farsa – a farsa que convenceu que Keirrison já estava pronto para a Seleção, que faz com que acredite-se que um campeão estadual é favorito ao título, e principalmente, a farsa que mantém as federações estaduais – estruturas anacrônicas, inúteis e falidas na maioria dos casos, que são em última instância, a arma para Ricardo Teixeira ficar no poder da CBF. O ano do futebol no Brasil começou. Que pena que mais uma vez, com esses torneios patéticos.
O STJD é a cara do Brasil, mas de um Brasil específico.
O Brasil de Edison Lobão.
O Brasil de José Sarney.
De Luis Zveiter, Roberto Horcades, Paulo Maluf.
O Brasil do gol de mão comemorado como sendo “mais gostoso”
Do “malandro” que quando se dá bem às custas dos outros dá risada.
O Brasil do apagão, do mensalão, da corrupção endêmica que vem pelas mãos dos autoproclamados guardiães da moralidade e decência.
O Brasil da democratura onde existe a opinião certa e a opinião errada.
O Brasil do PMDB, de Renan Calheiros, de certos deputados canalhas que fazem leis para diminuir a proteção aos animais e aumentar o desmatamento.
Todos esses Brasis, filhos do Brasil escravocrata, burocrata, elitista, oligarca, autoritário, colônia de si mesmo, estão retratados no STJD. O mesmo Brasil de sempre, dos vagabundos aos quais Márcio Moreira Alves se referiu no discurso de 1968.
Mas não do meu Brasil. Esse Brasil eu sempre vou renegar.
O jogo do Brasil em La Paz não traz quase nenuma novidade ou confirmação. Numa altitude ridícula, o rendimento do Brasil foi abaixo do possível. Somente Nilmar e Ramires tiveram uma apresentação que devem ter tirado de Dunga quaisquer dúvidas sobre os dois. Mesmo que Nilmar não seja um dos quatro melhores jogadores brasileiros na posição, é um dos que conseguiu menlhores rendimentos na Seleção. E isso deve pesar.
Dois debates que se fizeram ao redor dessa partida: o primeiro sobre Diego Souza e a pertinência de ele ganhar uma vaga. Se Dunga levá-lo, é porque quer. Apesar de fundamental para o Palmeiras e excelente para o nível do futebol brasileiro, Diego Souza não tem nem vestígios do futebol necessário para atuar na Seleção, especialmente dada a concorrência na posição. Sem dúvida que uma partida na Bolívia não pode dar o veredicto sobre um atleta, mas não consigo ver em Diego o talento de que tanto se fala.
O segundo é sobre a lateral esquerda. O ponto é que não há titular na posição, e embora André Santios não seja um jogador ruim, não limpa as chuteiras Do futebol de Fabio Aurelio no Liverpool. Marcelo, Gilberto, Kleber e outras criaturas que passaram pela lateral, essas então têm dificuldades até de ter vagas em seus times. Tirando essa posição, o grupo de Dunga está praticamente fechado.
Ninguém – absolutamente ninguém – pode dizer que apostava em Luis Fabiano como titular do time de Dunga quando ele assumiu a Seleção. Vágner Love, Alexandre Pato, Adriano, Afonso Alves, Rafael Sóbis, Ricardo Oliveira, Fred, Jô, todos esses tinham pinta de que ganhariam uma vaga para 2010. Mas a três meses do ano da Copa, só ele fez por merecer. Leia+ »
Jamais escondi a desconfiança que eu tenho em relação ao trabalho de Dunga. Tendo visto alguns treinos da Seleção na Granja Comary e ourros pela TV, me parece que não é difícil concluir que o ex-volante esteja longe do ideal para comandar um time. Traduzindo: ainda acho que Dunga não tem a competência necessária para ser técnico e que sua posição é muito mais pelo allinhamento com a CBF do que qualquer outra coisa. Leia+ »
