O fracasso completo e irretocável de Ciro Ferrara no comando da Juventus é mais do que uma simples queda de treinador num megaclube (isso se fosse possível uma simples queda de técnico num megaclube). Com Ferrara, vai ao chão a credibilidade de toda a diretoria que se montou após o escândalo de “Calciopoli” em 2006. Leia+ »
A semifinal da Copa da África entre Egito e Argélia é uma tragédia anunciada, aliás tristemente coerente com esta edição da Copa Africana de Nações. Os dois países protagonizaram uma balbúrdia na repescagem da copa, são vizinhos geográficos e apesar de dividirem a mesma religião, nutrem uma viva rivalidade. Hoje o dirigente do Bayerm Uli Hoeness, disse que a organização da Copa do Mundo na África do Sul é uma temeridade. Se os dirigentes angolanos queriam uma chance de provar que Hoeness está só sendo preconceituoso, eles têm uma.
O retorno iminente de Robinho ao Brasil (provavelmente ao Santos) é um indício forte que a tendência ditada por Adriano para voltar ao Brasil. Joga-se o profissionalismo às favas, começa-se a fazer corpo mole e circuito night e de repente, um clube brasileiro apresenta-se para “ajudar” o jogador a reaver a forma. Grande coincidência. Apesar de ter um contrato em vigor, os jogadores se acham no direito de ir e vir quando quiserem. Contudo, quando se machucam e ficam vários meses parados, recebendo seus salários gordos bem gostoso, não me lembro de nenhum deles tentar rescindir o vínculo.
Os brasileiros cuja participação na Copa do Mundo está em risco estão todos voltando. Adriano, Vagner Love, Alex Silva, Robinho, Anderson, Cicinho, Mancini. Todos esses e alguns outros estão sedentos por seis meses de futebol no Brasil para evitar o esquecimento de Dunga. Nem todos eles conseguirão algo. Além de Adriano e Robinho, é difícil imaginar outro sucesso. E se houver, é o de Love, por causa do Flamengo (se Ronaldo estivesse com menos de 100 kg, também iria, pelo Corinthians)
Dos citados, poucos têm futebol para um grande europeu. Adriano e Robinho, eu diria. Mas o primeiro, se terinasse duro e o segundo, se tomasse ciência de que ao contrário do que muitos colegas diziam, não é Pelé. Aliás, tem menos a ver com Pelé do que pelo menos duas dúzias de outros jogadores. Voltando ao Brasil, Robinho terá novamente a impressão de ser um deus da bola. Mas não é – e não por falta de talento.
Tirando o chilique de José Mourinho ao final da partida, onde ele denunciava um complô contra uma líder de campeonato com nove pontos de vantagem, o sucesso interista sobre o Milan, não tem nenhum ponto a ser levantado. A Inter é muito melhor que o Milan, ainda que não jogue bonito e ainda que não tenha nenhum craque definitivo com exceção de um prodigioso Júlio César.
Confiando numa dupla de alas esforçada, no máximo, o Milan enfrentou a Inter sem Pato e Nesta. Na Inter, ausências do tipo teriam suplentes, mas na ’sponda rossonera’ da cidade, os dois deram lugar a Beckham e Favalli. Por outro lado, para “compensar” a ausência de Eto’o por um mês de Copa da África, contratou Pandev – o melhor segundo atacante da Itália, rivalizando com Alexandre Pato.
O Ronaldinho do auge do Barcelona talvez tivesse compensado Pato e Nesta, mas o atual, apesar de infinitamente melhor do que há seis meses, ainda não tem bala na agulha para se livrar de Maicon e ainda causar encrenca. Ronaldinho tem o talento, mas ainda não tem a velocidade nem o tempo de bola necessários a um ponta.
O Lance! publica uma nota comparando Robinho a Ronaldinho Gaúcho. Apesar da pertinência da matéria (afinal, os dois podem disputar vaga na Copa), a comparação não existe. Um já fez absolutamente tudo no futebol e depois de um mau momento, vai recuperando uma forma que parecia perdida. O Outro, nunca fez nada. O grande trunfo de Robinho foram as pedaladas na final do Brasileiro de 2002. Ponto. Manchester City e Real Madrid tem nele uma lasca de página em suas histórias.
O crescendo do futebol turco não deve diminuir nos próximos anos. O canal de TV a cabo Digiturk fechou um contrato de cerca de US$380 milhões ao ano até o fim da liga de 2015. Os times turcos têm subido na escala de poder de compra e o mercado deve ficar cada vez mais fortes. É possível que a Turquia chegue a 2020 mordendo ligas tradicionalmente maiores como França e Portugal.
O agente de Ibrahimovic, Mino Raiola, declarou que o jogador “ainda tem tempo de carreira para fazer mais algumas transferências”. É impressionante a sanha de dinheiro que os agentes têm. O aporte dos mesmos ao esporte é puramente nocivo. Contribuição zero.
O Olympiacos demitiu hoje o brasileiro Zico. O ex-meia do Flamengo foi um dos grandes ídolos da minha infância. Não sou flamenguista, mas esra impossível não ser fã do time de Zico. Apesar de uma carreira frustrante em termos de títulos na Seleção Brasileira, Zico foi o grande craque dos anos 80 e tivesse sido um pouco mais astuto e não tivesse sido vítima da sede de sangue de um zagueiro açougueiro, poderia sim ter feito frente a Maradona.
Como técnico, contudo, Zico é uma sombra, um técnico de terceira. Ou pelo menos foi isso que conseguiu mostrar até agora. Seus times não têm padrão de jogo e a defesa deles é invariavelmente um “vamos que vamos”. Seu fracasso no Olympiacos sentencia sua carreira internacional, a menos que ele a reconstrua começando num clube menor do exterior, formando times e assim subindo gradativamente – nada que um ex-craque costume fazer.
ho muito mais provável um futuro dele no Flamengo. Andrade é um cara bonachão, mas não resistirá à pressão da expectativa – ou se o fizer, se habilitará como um dos grandes técnicos do Brasil. O Flamengo deste ano terá de vencer tudo para que o ex-colega de Zico não seja destituido após o primeiro fracasso relevante. E daí, Zico, que certamente já é um cara rico (depois de contratos milionários no Uzbequistão, Turquia, Rússia e Grécia), poderá ver com bons olhos uma passagem no clube que é capaz de devolver a ele uma ascendente na sua carreira de treinador. Zico é deus na Gávea e não haveria alguém macho o suficiente lá para falar contra uma chegada sua ao clube. Um grande trabalho no Fla daria a Zico uma aura mítica renovada; um fracasso, relegaria-o a clubes no Oriente Médio e Japão ad infinitum.
E finalmente o time tricampeão inglês, marca mais valiosa do mundo do futebol, finalista das últimas duas Ligas dos Campeões, proprietários de um dos estádios mais míticos do mundo, comandados pelo técnico mais laureado da Europa descobrem-se em guerra com sua torcida. Como é possível um quadro no qual todas as conquistas não bastam?
O Manchester United e seus proprietários formam um casamento que não teria como dar certo. Os meus colegas que conjugam negócio dom o esporte terão de me desculpar, mas o esporte não é um negócio qualquer e o lucro é bem-vindo, desde que atendendo a determinadas demandas que na verdade são a alma do negócio.
Uma vez, Bob Paisley, técnico do Liverpool questionado sobre se uma determinada contratação não deixaria o clube sem recursos, respondeu: “Todos os recursos deste clube tem de estar dentro daquele gramado vestindo uma camisa vermelha”. A mensagem talvez precise receber alguns retoques no mundo megaglobalizado do século XXI, mas a essência continua a mesma. O torcedor é um cliente de fidelidade incomum, mas tem sensibilidades extras a serem respeitadas.
Malcolm Glazer e sua família não dão a mínima para o futebol nem para o Manchester United nem para ninguém que não tenha o sobrenome Glazer. Tecnicamente, estão no direito deles, uma vez que a sociedade está assim organizada. O ponto é que capitalistas super-radicais não estão prontos para o futebol nem vice-versa. Não é possível ganhar dinheiro a qualquer custo, porque para o torcedor, vender o seu lendário estádio ou ceder um ídolo é um pouco como vender uma perna ou um rim. As marcas não se apagam.
O futebol jamais teria alcançado a projeção global de hoje se não tivesse pego uma carona no desenvolvimento capitalista. Só que o desenvolvimento desefreado da busca do lucro traz dentro de si o germe da própria destruição, como o mundo quase pôde ver em 2008 com a crise econômica mundial. Depois que se venceu tudo, não há mais nada para se vencer, mas clubes como o Manchester e o Real Madrid vivem num modelo que se assemelha à expansão do Império Romano, onde a sustentabilidade dependia de conquistar novos territórios. Quando não havia nada mais para ser conquistado, ruiu.
O Manchester vai ruir? Não. Mas o futebol europeu está entrando num novo estágio do neocapitalismo da bola, no qual o meganegócio tem espaço, mas precisa compreender as idiossincrasias do esporte e do torcedor, onde o presidente do clube precisa ter sensibilidade para se condoer com o torcedor na arquibancada. É uma transição longa mas vem por bem – pela compreensão e sagacidade – ou por mal – prejuízos, conflitos e derrocadas.
No Brasil, o futebol ainda está um estágio antes, estamos prestes a entrar na era do negócio, onde clubes desorganizados e corruptos terão vitórias esparsas e aos soluços. Tivéssemos dirigentes menos analfabetos e anacrônicos e eles poderiam sacar que é possível fazer uma transição mais rápida para o momento ao qual o fut europeu se dirige. O burro não aprende com seus erros; o racional, sim e o verdadeiramente sábio, aprende com os erros dos outros. Alguém aí gostaria de saber em que categoria se encaixam os cartolas brasileiros?
Vê-se quando um time (e sua torcida) estão desesperados quando eles começam a surtar em cima de acontecimentos nem tão promissores. Por exemplo, como é que um torcedor atleticano, que considera seu time um dos grandes fo futebol brasileiro, pode admitir (ou acompanhar) o obaoba da imprensa porque o Galo goleia o Villa Nova (certamente sempre haverá um asno qualquer para apontar o Villa Nova como “um dos grandes de Minas Gerais) num jogo-treino?
O jejum de glórias do Galo certamente não é fácil de suplantar, mas desserviço de criar factóides – que é fortemente fomentado pela imprensa mineira, de longe a menos profissional entre as dos quatro maiores estados, futebolisticamente falando – não dá a torcida a real dimensão da questão.
No ano passado, quando escrevi aqui que o Galo não seria campeão, uma série de moluscos me escreveu me xingando de todos os nomes. Como o Atlético de fato não ganhou, nenhum deles escreveu para se desculpar – mas teriam escrito mil outros e-mails para me xingar caso eu tivesse errado no diagnósticos. Estes celerados e outros torcedores inocentes podem acreditar que o começo “arrasador” do Galo (sempre reiterando que se trata de uma vitória num jogo-treino) é sinal do limiar de uma nova era capitaneada por Vanderlei Luxemburgo. Não é. Nos seus últimos clubes, esse tipo de “arranque” sempre aconteceu, mas depois não deu em nada. Luxa é um bom técnico (quando quer trabalhar sério) e o Galo tem uma boa base, mas entre isso e a recuperação de um lugar entre os maiores do país ainda vai um chão. Quem quiser entender a mensagem, que o faça.
